‘Milionário por um dia’: veja o que acontece após Tribunal negar depoimento de testemunhas

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Motorista que recebeu R$ 131 milhões por engano espera há 1 ano por indenização
O processo movido pelo motorista Antônio Pereira do Nascimento contra o Banco Bradesco deve seguir sem o depoimento de testemunhas após o Tribunal de Justiça do Tocantins (TJTO) rejeitar um recurso da defesa. Conhecido como “milionário por um dia”, Antônio pede recompensa e indenização após receber R$ 131,8 milhões por engano na conta bancária.
A transferência aconteceu em 2023, e Antônio devolveu o dinheiro no mesmo dia. Em 2024, ele entrou com a ação e pediu R$ 13.187.022 como recompensa e R$ 150 mil por danos morais. Segundo ele, a movimentação gerou prejuízos, como cobrança de tarifas e encargos, mudança da conta para uma categoria VIP e pressão psicológica por parte do gerente.
Em março de 2026, a 6ª Vara Cível de Palmas dispensou as testemunhas por entender que já havia provas suficientes para analisar o caso. A defesa recorreu ao TJTO, mas o pedido foi rejeitado.
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Com a manutenção da decisão, o processo pode seguir para sentença com base nos documentos e nas demais provas apresentadas. Segundo o advogado Gabriel Oliveira, ouvido pelo g1, a ausência das testemunhas pode ter maior impacto no pedido de indenização por danos morais.
“Uma das alegações do autor é que sofreu pressão psicológica e constrangimento de funcionários do banco. As testemunhas serviriam exatamente para confirmar o abalo psicológico”, explicou.
Segundo o advogado, que não atua no processo, sem as provas testemunhais, o juiz pode entender que não houve dano moral indenizável, mas apenas um aborrecimento.
“Sem o depoimento, e apenas com a análise documental, o Juízo pode entender que não houve abalo psicológico e sim mero aborrecimento, indeferindo a indenização pretendida”, afirmou.
O pedido de recompensa, segundo Gabriel Oliveira, pode ser analisado principalmente com base nos documentos apresentados no processo.
O Banco Bradesco informou que não vai comentar o caso. O g1 também procurou os advogados de Antônio, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.
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Reprodução/TV Anhanguera
Possibilidade de novos recursos
Apesar da decisão do TJTO, a defesa ainda pode avaliar a apresentação de novos recursos. Uma das alternativas apontadas pelo advogado é recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Outra opção é aguardar a sentença. Caso os pedidos sejam negados, a defesa poderá apresentar uma apelação e voltar a questionar a decisão de não ouvir as testemunhas.
“Depois da sentença, o recurso principal seria a apelação, onde o autor poderia discutir tudo novamente e inclusive reclamar pela falta de audiência, podendo o processo voltar e tal audiência ser realizada, caso o tribunal entenda que houve cerceamento de defesa”, explicou Gabriel.
Segundo o advogado, a decisão do TJTO está relacionada a uma questão processual sobre o tipo de recurso usado para contestar a decisão da primeira instância. Isso não significa, necessariamente, que o tema não possa ser discutido novamente no futuro.
Milionário por um dia
O caso aconteceu em junho de 2023, quando Antônio abriu o aplicativo do banco e encontrou um saldo de R$ 131.870.227,00. O dinheiro foi depositado por engano pelo Bradesco e permaneceu na conta dele por cerca de sete horas. Assim que percebeu o erro, o motorista procurou a instituição financeira e devolveu toda a quantia.
Passados três anos, Antônio afirma que continua levando uma vida simples e trabalhando como motorista para sobreviver. “Estou do mesmo jeito, trabalhando para comer. Eu devolvi o dinheiro e não vi dinheiro nenhum lá”, desabafou.
Pai de quatro filhos e avô de 14 netos, ele conta que a honestidade lhe trouxe reconhecimento, mas não mudou sua realidade. “Estou do mesmo jeito, trabalhando para comer. Eu devolvi o dinheiro e não vi dinheiro nenhum lá”.
Ele segue na expectativa de uma decisão da Justiça. “Eu ia reformar minha casa, comprar uma van para mim, que eu trabalho como motorista. Eu estava sem van. Isso podia ter sido comprado, mas eu não comprei”, afirmou.
Veja a cronologia do caso do depósito de R$ 131 milhões feitos por engano para Antônio Pereira
Arte g1
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Mari Silva é integrante do programa de estágio entre a Rede Anhanguera e Universidade Federal do Tocantins (UFT), sob supervisão de Patrício Reis.

Fonte: G1 Tocantins