The Killers vem ao Brasil com vocalista em fase pai de família e explica incômodo com letra de hit

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Brandon Flowers revela que metade da banda não aprovou letra do hit ‘Human’. Vocalista fala sobre pausa de guitarrista e baixista: ‘Estamos fazendo as coisas de uma maneira madura, em vez de apenas ir odiando cada vez mais um ao outro e acabar com tudo.’ Vocalista do The Killers fala sobre nova fase do grupo e de shows no Brasil
Brandon Flowers ainda vê gente se pegando ou jogando cerveja para cima nos shows do Killers, mas um tipo novo de fã está tomando conta da plateia: famílias. “Isso é incrível e eu, da mesma forma, estou mostrando aos meus filhos bandas que eu cresci ouvindo”, diz ele ao g1 (ouça entrevista no podcast abaixo). É natural, estamos todos envelhecendo… “Não… eu não”, responde ele, com um meio sorriso.
Flowers começou a carreira falando sobre relações de jovens que acabaram em traição (“Mr. Brightside”) e flertes pouco correspondidos (“Somebody Told Me”). Até quando canta sobre o filho de 16 anos, no single mais recente da banda (“Boy”), ele se lembra dos tempos em que ele mesmo tinha essa idade. Mas todo mundo envelhece, é claro: Brandon hoje tem 41 anos.
O Killers surgiu em 2001, vendeu quase 30 milhões de discos e sempre se rotulou como “uma banda de Las Vegas”, com escolhas de visual que remetem à cidade. Foi em Vegas que ele viu um anúncio no jornal em que o guitarrista Dave Keuning procurava um vocalista para montar uma banda.
Mas Brandon, na verdade, é de uma cidadezinha cheia de festas de rodeio chamada Nephi, no estado americano de Utah. Recentemente, voltou lá para perto. Hoje, mora em Park City com os três filhos e a esposa. Visita a cidade natal com muito mais frequência e confessa que reprimia memórias que tinha dali.
Brandon Flowers, do Killers, no começo dos anos 2000 e em foto recente
Divulgação/Facebook da banda
Essa volta para casa deu origem ao sétimo álbum do Killers, lançado em agosto de 2021. Todas as letras do disco “Pressure Machine” contam histórias de personagens reais da infância e adolescência do vocalista. É com a turnê deste disco que o Killers volta ao Brasil para shows em São Paulo, neste sábado (11); e em Brasília, na segunda-feira (14).
São versos bem diretos. Mas nem sempre as composições foram assim… Flowers já foi criticado por versos considerados sem sentido (como “Human”, com a pergunta “somos humanos ou dançarino?”).
“Incomodava antes de lançarmos, sabe? Porque realmente tivemos uma reunião da banda sobre ela e eu acho que Ronnie e Mark não ficaram empolgados. E eu tive que meio que não arredar o pé.”
Sereno e mais bem-humorado do que de costume, ele falou ainda da obsessão geral por “true crime” (o Killers tem três músicas sobre assassinatos) e do susto que tomou no Lollapalooza 2018 quando Liam Gallagher invadiu o palco.
O Killers em 2022: o baterista Ronnie Vannucci Jr., o vocalista Brandon Flowers e o guitarrista Dave Keuning
Divulgação
g1 – Se você pudesse me contar só uma história que aconteceu durante as turnês brasileiras, qual você me contaria?
Brandon Flowers – A mais óbvio que vem à mente é que da última vez que estivemos aí, estávamos tocando “All These Things That I’ve Done” em 2018 e eu estava muito envolvido, estou acostumado a ninguém me tocar. Eu geralmente fico sozinho em uma redoma e o Liam Gallagher… [Risos] ele veio para o palco e ele tocou o no meu ombro e isso me assustou por um segundo e, então, quando eu olhei e vi que estava ali. Fiquei aliviado, mas mesmo assim é meio surreal ter Liam meio que invadindo o palco.
g1 – Deve ter sido bem estranho, porque sei que você ouvia muito Oasis quando era mais novo… Você tem dito que agora, quando está no palco, vê que seus fãs estão levando seus filhos para seus shows. Como se sente com isso?
Brandon Flowers – Ah, é incrível que essas pessoas estejam vindo para uma jornada e que encontrem valor suficiente para compartilhar com seus filhos. Isso é incrível e eu, da mesma forma estou mostrando aos meus filhos bandas que eu cresci ouvindo e tentando, você sabe, fazer o meu trabalho como pai… e por isso é ótimo. É ótimo fazer parte disso. E espero que nós vejamos mais disso no futuro com o passar dos anos.
g1 – Quer dizer que estamos ficando velhos também…
Brandon Flowers – Não… eu não.
Brandon Flowers com os três filhos e a esposa
Reprodução/Instagram do cantor
g1 – Outro dia, estava conversando aqui na redação com meus colegas sobre qual seria a grande banda da nossa geração e nomes como o de vocês, do Coldplay surgiram. É algo que você sempre quis, desde o começo da banda? Como você lida com a pressão e com a responsabilidade de saber que muitas pessoas como nós pensam no Killers desta forma?
Brandon Flowers – Eu acho que todo mundo quando começa uma banda tem sonhos bem grandes, tem grandes expectativas, sabe? Éramos apenas um monte de sonhadores por aqui e é incrível ser citado nesse tipo de conversa, saber que fomos capazes de durar tanto tempo e fazer as músicas certas, fazendo tantos shows que impactaram o mundo de alguma forma. Mas, sim…
É meio difícil para nós entendermos como tudo está acontecendo tão rapidamente e no único momento em que realmente tivemos um momento para desacelerar foi durante a pandemia, eu acho. E mesmo durante a pandemia, a gente teve muito trabalho para fazer.
g1 – Falando agora das suas letras, algumas você escreveu seguindo um fluxo de consciência… Mas críticos e fãs de outras bandas ficam falando sobre letras que você já escreveu: “Human or dancer”, “Soul, not a soldier”, por exemplo. Por que você acha que isso acontece e o quanto esse tipo de papo te enche o saco?
Brandon Flowers – Bem, essa do “I got a soul, but I’m not a soldier” faz todo sentido para mim, assim como para muitos dos nossos fãs, claro, que vão aos shows e entenderam a letra. Mas eu concordo com todo esse incômodo com “Humam”. Incomodava antes de lançarmos, sabe? [Risos] Porque, na verdade, tivemos uma reunião da banda sobre ela e eu acho que Ronnie e Mark não ficaram empolgados. E eu tive que meio que não arredar o pé.
Eu tentei mexer, tentei mudar a letra, mas nada encaixava e eu sabia o que eu queria. Acho que eu estava me permitindo fazer algo diferente, sabe? É um grande passo que eu precisava dar naquele momento e eu adorei, sabe? Ainda tenho orgulho da coragem que tive.
Brando Flowers, do Killers, come um hot dog no backstage
Divulgação/Facebook da banda
g1 – E você poderia me dizer como voltar para Utah e visitar sua cidade natal com mais frequência afetou você como compositor e na sua vida pessoal?
Brandon Flowers – Eu sou uma pessoa nostálgica. Então, eu estava meio inundado com memórias e com minhas sensações de uma maneira que eu não esperava, porque, sim, as temporadas, os lugares, os cheiros e tudo o que vem junto com isso me fazem lembrar do tempo que estive lá.
Teve um grande impacto em mim e eu fui, falo de novo, inundado com memórias de pessoas e experiências que eu meio que reprimia, porque sempre fomos conhecidos como a banda de Las Vegas, mas há esse segredo que eu tenho guardado [Risos] e então foi legal poder me inspirar em algo diferente e tudo isso tem sido um presente para mim.
g1 – Você escreve muito sobre histórias reais. Algumas sobre assassinatos, como “Jenny was a friend of mine”. Por que você acha que as pessoas estão obcecadas com podcasts e séries sobre true crime, não só aqui no Brasil, mas em todo mundo?
Brandon Flowers – Não sei. A minha mulher também vive vendo isso… [Risos] durante nossas viagens de carro, ficamos ouvindo podcasts sobre “true crime”. O que é que é fascinante sobre isso? Eu acho que é porque 99% do tempo os criminosos são as pessoas que são suas vizinhas. E isso é meio que interessante essa coisa de pensar em como temos nossas casas e temos essa versão de nós mesmos que permite que as pessoas vejam, mas vai saber o que seus vizinhos estão pensando…
O Killers, no início dos anos 2000: Dave Keuning, Mark Stoermer, Brandon Flowers e Ronnie Vannucci Jr.
Divulgalção
g1 – Durante a faculdade, um dos meus maiores exercícios físicos além de jogar futebol era dançar músicas do Killers. Para mim, vocês sempre foram uma grande banda de rock para dançar. Então, como é saber que agora artistas estão criando músicas dançantes mais focadas no TikTok do que nas pistas de dança?
Brandon Flowers – Hmmm… ah, é só um momento difícil no mundo, sabe? Estamos passando por uma fase e vai saber o que o futuro nos trará, mas meu coração fica principalmente com essas bandas novas que estão tentando encontrar o lugar delas, porque costumava haver um sistema pelo menos. Você entendia um pouco mais o que acontecia, depois que assinava um contrato com uma gravadora. Você queria fazer um disco, fazer sua música ser ouvida e sair em turnê…
E agora é complicado. Eu sinto que, embora existam mais oportunidades para mais pessoas entrarem, eu sinto que, pelo menos falando de mim mesmo, eu teria muita dificuldade para prosperar neste tipo de ambiente em que você precisa se vender. Acho muito difícil fazer isso. Então, deixo novamente meu coração para todos esses jovens artistas.
Brandon Flowers ao lado do Killers em foto do disco ‘Sam’s Town’ (2006)
Divulgação
g1 – Depois que Dave saiu e Mark saiu, pelo menos por um tempo, você pensou que o Killers poderia acabar?
Brandon Flowers – Não, não achei isso. Isso aconteceu porque eles estavam dando uma afastada, o que permitiu a banda permanecer viva. Então, tomar essas medidas foi uma coisa saudável para a banda. E ainda estamos encontrando novas maneiras de fazer isso funcionar e, felizmente para nós, os shows continuam crescendo, melhorando, e estão cheios.
“Estamos fazendo as coisas de uma maneira madura, em vez de apenas ir odiando cada vez mais um ao outro e acabar com tudo.”
Você já disse que não se importa em continuar cantando “Mr. Brightside” em todos os shows e as pessoas aqui no Brasil sempre esperam que você faça isso. Você diz que não entende por que o Radiohead, por exemplo, não toca “Creep” e outras bandas não tocam seus hits. O que você faz para não se cansar de tocar as mesmas músicas tantas vezes?
Brandon Flowers – Eu foco na resposta do público e talvez isso seja algo que me faça diferente de alguém de outra banda que opta por não fazer isso. Então, eu definitivamente amo essa resposta e talvez eu seja um pouco viciado nisso. [Risos] Tem também essa ideia de que para muitas dessas pessoas essa será a primeira vez que eles estão vendo o Killers e eu sinto que devemos a eles tocar algumas dessas músicas pelas quais eles pagaram seu dinheiro e tudo realmente se resume a isso.
The Killers no Brasil
São Paulo
Quando: 12 de novembro de 2022
Onde: Allianz Parque – Av. Francisco Matarazzo, 1705 – Água Branca
Ingressos: R$ 170 a R$ 990
Line-up: Killers, Twenty One Pilots, Fresno, The Band Camino
Brasília
Quando: 14 de novembro de 2022
Onde: Arena BRB Mané Garrincha – SRPN Arena BRB Mané Garrincha – Asa Norte
Ingressos: R$ 120 a R$ 880
Line-up: Killers, Capital Inicial, Raimundos, Jovem Dionísio

Fonte: G1 Entretenimento