Ali Bucareste tem a Síndrome de Irlen, alteração na visão, causada por um desequilíbrio da capacidade de adaptação à luz. Mesmo com as dificuldades, estudante é exemplo de dedicação. Estudante com síndrome de Irlen se destaca no vestibular
Aos 16 anos, o estudante de escola pública, Ali Bucareste, é exemplo de determinação. O adolescente tem uma doença rara nos olhos, causada por um desequilíbrio da capacidade de adaptação à luz. Mesmo com as dificuldades, conseguiu ser aprovado em 1º lugar no curso de medicina veterinária em Palmas. “É o primeiro vestibular que eu faço”, disse ele.
A Síndrome de Irlen, que acomete 15% da população, causa sensibilidade a luz solar e a qualquer tipo de claridade, provocando fortes dores de cabeça, dificuldades na leitura e no aprendizado. A doença geralmente é descoberta na idade escolar.
“A gente costuma fazer o diagnóstico na infância porque atrapalha muito na sala de aula, geralmente é uma criança que vai ter dificuldades na concentração, vai ter um baixo rendimento escolar. É uma alteração neurológica em que, mesmo usando ou não os óculos, ela vai continuar enxergando embaçado, vai tentar fazer uma leitura e vai estar tudo com falta de contraste, as letras vão estar sobrepondo, vai estar tudo borrado, as cores diferentes”, explicou o médico oftalmologista, Rafael Lopes.
Estudante com síndrome de Irlan se destaca no vestibular
Reprodução/TV Anhanguera
Mesmo com o diagnóstico, Ali é dedicado e busca melhorar na sala de aula. Os olhos estão sempre atentos às explicações dos professores. Além de contar com o apoio da escola, o estudante se esforça. Senta em locais onde a visão do quadro fica mais adequada e faz o possível para aprender.
“Você fazendo as coisas sozinho, mesmo tendo a limitação, você acaba aprendendo a fazer. Então, na primeira vez você vai errar, mas na segunda você vai conseguir. Não vai estar o tempo inteiro precisando daquela ajuda porque uma hora ou outra, não vai ter uma ajuda por perto”, disse Ali.
Por causa das dificuldades, o adolescente conta com o suporte da Escola Estadual Elisângela Glória, onde estuda desde 2020. Ele tem a ajuda de uma professora auxiliar e recebe atendimento em uma sala de recursos onde desenvolve atividades adaptadas.
“A gente trabalha com atividades para desenvolver cognição, a linguagem, desenvolver habilidades, atenção, foco, memória. O Ali tem facilidade para responder questionamentos, interpretação de texto, provas, as atividades feitas de maneira oral. Então o professor possibilita a ele as respostas, ou seja, a participação dele nas atividades de forma oral, em vez de escrita”, explicou a professora Thelma de Sousa.
Para Thelma, a pessoa com deficiência precisa ter autonomia para desenvolver o seu potencial.
“Muitas vezes, as famílias vêm querendo uma proteção a mais e a gente tenta mostrar que esse estudante tem potencial, que ele tem capacidade. A gente trabalha autonomia desse estudante”, finaliza a professora.
Alunos da rede pública de ensino do Tocantins se destaca no vestibular apesar da síndrome de Irlan
Reprodução/TV Anhanguera
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Fonte: G1 Tocantins
