Grupo com PMs e servidor público fez ‘terror psicológico’ durante cobranças para agiota, diz PC

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Polícia Civil cumpre mandados contra suspeitos de agiotagem
Dois policiais militares e um funcionário do sistema prisional são suspeitos de agir com truculência contra uma idosa de 65 anos e o filho dela, de 45 anos, ao fazer cobranças de dívidas para um agiota. Segundo investigação da Polícia Civil (PC), as vítimas sofreram terror psicológico.
Na manhã desta sexta-feira (24), a Polícia Civil cumpriu mandados de prisão preventiva dos dois policiais militares, do funcionário do sistema prisional e do suspeito apontado como agiota. O grupo é investigado por associação criminosa armada voltada à cobrança ilegal de dívidas, com a prática de crimes como usura pecuniária e extorsão qualificada.
A defesa dos quatro suspeitos informou que vai se manifestar após ter acesso aos autos. “Como se trata de processo de investigação sigilosa, qualquer comentário acerca dos fatos que ensejaram as prisões é prematuro nesse momento processual”, informou o advogado Vinícius Moreira.
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A Polícia Militar disse que abriu procedimentos administrativos para apurar as denúncias e reforçou que mantém tolerância zero com desvios de conduta. Segundo a corporação, os dois policiais militares citados foram afastados das funções e tiveram o armamento recolhido por determinação da Justiça (leia nota na íntegra abaixo).
A Seciju afirmou, em nota, que não compactua com qualquer desvio de conduta e que já formalizou o pedido de extinção imediata do contrato de prestação de serviço do envolvido (leia nota na íntegra abaixo).
Ameaças em mercado da família
Agentes da Polícia Civil durante buscas em endereço de investigado
PC-TO/Divulgação
Conforme a investigação policial, a mulher relatou que os três homens chegaram armados ao mercado que o filho tinha na região sul de Palmas em fevereiro de 2026. Em determinado momento, um dos policiais militares levantou a roupa para mostrar a arma de fogo na cintura, na tentativa de intimidar a vítima.
Depois, os agentes teriam permanecido posicionados estrategicamente na porta do do mercado, com as mãos sobre o armamento, proferindo insultos e xingamentos direcionados ao filho da mulher.
Entre ameaças, foram proferidas falas como “ou nós toma esse açogue ou as coisas vão ficar pior”, e que o problema seria resolvido “de um jeito ou de outro”. Conforme o relatório policial, a vítima entrou em pânico.
Durante a investigação, os investigadores também tiveram acesso a diversos diálogos cedidos pelas vítimas. Para a polícia, o grupo utilizou terror psicológico para amedrontar as vítimas ao mencionar a existência de um “grupo de cobrança de fora” que teria “recebido a conta”.
No dia 2 de março de 2026, o grupo retornou ao mercado das vítimas em Palmas para cobrar a dívida novamente, ocasião em que a mãe e o filho empresário se viram obrigados a encerrar as atividades comerciais da família e a se mudarem.
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Operação Nêmesis, da Polícia Civil, cumpre mandados em Guaraí (TO)
Divulgação/PCTO
Divida virou ‘bola de neve’
Segundo a Polícia Civil, a dívida teve início em Guaraí, na região centro-norte do estado, onde o empresário contraiu empréstimo com um dos investigados, um homem de 52 anos. Com a cobrança de juros mensais elevados, que chegaram a R$ 4 mil, o valor aumentou e se tornou impossível de quitar.
O grupo cobrava duas dívidas sendo uma de R$104 mil, e outra de mais de R$126 mil. A primeira, segundo a vítima, havia sido quitada no ano de 2024, mas o agiota seguiu fazendo cobranças.
De acordo com a investigação, conduzida pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (DEIC) de Palmas, o grupo composto por quatro homens usava o prestígio dos cargos públicos e armamento de serviço para realizar cobranças de dívidas em nome de um agiota da cidade.
A Polícia Civil apurou que um dos investigados chegou a simular o registro de uma ocorrência para pressionar o pagamento. Conforme a Secretaria da Segurança Pública (SSP), as investigações seguem em andamento para identificação de outros possíveis envolvidos.
Íntegra da nota da PM
A Polícia Militar do Tocantins informa que, na manhã desta quinta-feira (24), acompanhou o cumprimento de mandados judiciais expedidos pela 1ª Vara Regional das Garantias da Comarca de Palmas, no município de Guaraí, no âmbito de investigação conduzida pela Polícia Civil.
A Corporação esclarece que os dois policiais militares mencionados foram submetidos às medidas cautelares estabelecidas pela Justiça, incluindo o afastamento das funções públicas e o recolhimento de armamento institucional.
A Polícia Militar do Tocantins informa que, paralelamente ao processo judicial, instaurou procedimentos administrativos para apuração das denúncias no âmbito disciplinar da Corporação.
A Polícia Militar do Tocantins tem tolerância zero com qualquer tipo de desvio de conduta e atua com rigor na preservação da disciplina, da ética e da hierarquia militares, sempre com foco na preservação da segurança e do bem estar da população, que fazem da PMTO uma das instituições mais respeitadas e confiáveis do Tocantins.
Íntegra da nota da Seciju
A Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) informa que tomou conhecimento da operação realizada nesta sexta-feira (24), em Guaraí, pela Delegacia Especializada de Investigações Criminais (DEIC), que resultou no cumprimento de ordens judiciais envolvendo um servidor que atuava na Unidade Penal de Guaraí.
Sobre o caso, a Seciju esclarece que o referido profissional era contratado temporário para o exercício de funções administrativas. Diante da gravidade dos fatos relatados e da decisão judicial, a Secretaria informa que já formalizou o pedido de extinção imediata do contrato de prestação de serviço do envolvido.
A Seciju reitera que não compactua com qualquer desvio de conduta, ato ilícito ou utilização indevida da estrutura estatal por parte de seus servidores ou colaboradores. A pasta preza pela ética, pela legalidade e pelo estrito cumprimento do dever público.
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Fonte: G1 Tocantins