Primavera Sound estreia em SP com Arctic Monkeys, Björk, 55 mil fãs e árvores na plateia

0
68

1º dia da estreia brasileira do festival teve bons shows para 55 mil pessoas no Anhembi. Árvores atrapalharam visão de palco principal. DJ colocou ‘patriota do caminhão’ no telão. Alex Turner, dos Arctic Monkeys, no Primavera Sound 2022 em SP
Fábio Tito / g1
O primeiro dia da edição de estreia do festival Primavera Sound no Brasil teve bons shows de Arctic Monkeys, Björk e outros neste sábado (5), no Anhembi, em São Paulo. Um dos palcos principais tinha um espaço para o público estreito, em que algumas árvores ainda dificultavam a visão.
O público foi de 55 mil pessoas, segundo a organização. A lotação máxima era de 60 mil. O resultado foi positivo para uma estreia – sem contar a reclamação por causa das árvores. O sinal é de que SP parece ter mesmo demanda para mais um festival alternativo, além do Lollapalooza.
O festival continua neste domingo (6) com Travis Scott, Lorde e mais. O Primavera Sound acontece há vinte anos em Barcelona na Espanha, e realiza sua primeira edição em SP em 2022.
O sábado teve, no palco Primavera, Björk e Mitski, mulheres performáticas, que se desdobraram em espetáculos de art-pop. No palco Beck’s (o das árvores), Interpol e Arctic Monkeys, homens blasé, quase nem falavam e tocavam o que está no disco mesmo. O povo parecia satisfeito dos dois lados.
Entre os shows de mais cedo, a cantora Liniker fez um bom esquenta, e a DJ Badsista mostrou no telão um meme com o “patriota do caminhão”, ironizando os protestos golpistas no Brasil.
Leia mais sobre os shows a seguir:
Arctic Monkeys
Arctic Monkeys no Primavera Sound
Fábio Tito / g1
Alex Turner, vocalista dos Arctic Monkeys, sempre cantou ao vivo como se estivesse sozinho em frente ao espelho do quarto, sem dar bola para a multidão. Neste sábado ele exagerou neste quesito: passou quase todo o show de óculos escuros. Tudo bem, ninguém espera diferente dele a essa altura.
Os fãs pareciam mais preocupados em saber se a banda no palco continua pesada, ao contrário dos dois álbuns recentes mais acústicos e esquisitos. Para alívio deles, sim: a turnê parece mais de “AM” (2013) ou “Humbug” (2009) do que do grupo de estúdio atual.
Uma surpresa para quem os acompanha desde o início é que “From the Ritz to the rubble” e até “I bet you look good on the dancefloor”, do primeiro álbum, de 2006, são bem recebidas, mas não tanto quanto as do fenômeno “AM”. São essas que faziam o público até subir nas árvores para ver melhor.
As faixas recentes são pedágios que todos pagam resignados para chegarem a “Do I wanna know”, “Arabella”, “Crying Lightning” e outros riffs conhecidos. Quando ele anuncia que vai tocar uma nova antes de “The car”, uma parte do público faz um “aaah” triste, sem esconder a reclamação.
A organização espalhou telões bem altos para tentar compensar a dificuldade de visão por causa do espaço estreito e das árvores. Mas ainda tinha um problema: nas telas mais ao fundo, a imagem estava com delay, fora de sincronia com o show.
Arctic Monkeys entre as árvores no Primavera Sound
Fábio Tito / g1
Björk
Björk no Primavera Sound
Fábio Tito / g1
A islandesa cantou acompanhada da orquestra brasileira Bachiana Filarmônica. O show da turnê Björk Orkestral é oposto ao que se vê em grandes festivais: tudo acústico, sem bateria nem outro artifício além da voz e a presença que consegue encher o palco – ao mesmo tempo intimista e imponente.
Ela acompanha os arranjos orquestrados com dancinhas, parece feliz em músicas tristes como “Stonemilker” e anuncia “Pluto” como um “techno de cordas” – com batidas imaginárias. O vocal forte e sem medo da imperfeição arranca aplausos no meio das músicas, como em “I’ve seen it all”.
O repertório foi generoso com músicas mais antigas, dos anos 90, como “Jòga”, “Isobel” e “Hyperballad”. Ela proibiu fotógrafos na frente do palco e pediu para fãs não usarem celular. A maioria obedeceu e abriu mão das stories e outros clichês de festival lá embaixo e em cima do palco.
Björk no Primavera Sound
Fábio Tito / g1
Mitski
Mitski no Primavera Sound
Fábio Tito / g1
A japonesa Mitski Miyawaki entregou performance de movimentos expansivos e teatrais. Além dessa parte dança contemporânea, ela canta de modo cristalino, sem deixar que as coreografias atrapalhem a voz, mesmo quando está estirada no chão. Ela dá socos no ar, faz um air guitar tresloucado, corre na ponta do pé e rodopia em show que em alguns momentos mostra influência de Björk, atração anterior do Palco Primavera.
Imersa na própria performance, Mitski pouco fala com a plateia. Está muito ocupada sentindo os sintetizadores de “The only heartbreaker” ou o groove de baixo de “Stay soft”. Ela agradece e diz que o Brasil é um país lindo, logo antes de “Townie”, noise pop e uma das melhores do setlist. A mais cantada pelos fãs, porém, é “Nobody”, leve e dançante.
Com 32 anos de idade e dez de carreira, Mitski já disse que não pretendia seguir emendando uma turnê na outra. Seria uma pena não tê-la mais nos festivais da vida: poucas do ramo entregam um show pop ao mesmo tempo tão simples e longe do lugar comum.
Mitski no Primavera Sound
Fábio Tito / g1
Interpol
Interpol no Primavera Sound
Fábio Tito / g1
Há que se dar um crédito para as árvores do palco Beck’s: elas criavam um cenário interessante, junto com o frio, os telões em preto e branco e o som melancólico do Interpol. Quem já viu a banda no Brasil sabe que a pegada e é essa mesma: sério, sem esforço para agradar além das músicas.
Com duas décadas de carreira e sete álbuns gravados, o grupo novaiorquino de pós-punk nunca mudou muita coisa no som, o que não ajuda a fazer um show variado. Eles tocaram dez minutos a menos do que os 60 previstos na programação.
O começo e o fim do show tem as músicas mais antigas e conhecidas, como as ótimas “Evil”, “PDA” e “Slow hands”. O meio em t faixas mais recentes. Nestas, o público que não se dispersou pelo bosque indie ao menos conseguia apreciar o cenário e o clima.
Liniker e mais
Liniker apresentou as músicas do álbum “Indigo Borboleta Anil” no palco Primavera no começo da tarde deste sábado (5). A cantora de Araraquara (SP) entrou no line-up após o cancelamento de Gal Costa, que passou por uma cirurgia para retirada de um tumor na fossa nasal. Na quinta (3), Liniker também cantou na programação do Primavera na Cidade.
A cantora dançou, tocou guitarra em “Mel”, desceu para cantar na galera, fez cena como se tivesse regendo a banda e cantou muito – como de costume. “Calma”, “Zero”, “Psiu” e “Baby 95” estavam no repertório do show que foi gostoso para o começo de tarde do festival.
Entre as outras atrações do sábado estavam L7nnon, Helado Negro, Beach House, José González e Tim Bernardes. No início da tarde, a produtora e DJ paulistana Badsista mostrou imagens no telão de memes com o “patriota do caminhão”, o manifestante que viajou pendurado em Pernambuco.
Initial plugin text
Initial plugin text

Fonte: G1 Entretenimento